quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um abençoado 2013...

 O Grupo das Mães contra o crack, deseja a todos um abençoado 2013... Pedimos que ao se divertirem com as festas de final de ano, todos tenham muita cautela e moderação, não deixem que o álcool e as drogas façam parte da comemoração, pois, na maioria da vezes esse é um caminho sem volta!!! Vamos sim, comemorar a vida, o ano que se aproxima e o queremos para ele, pensamentos positivos para atrair coisas boas, esta é a pedida!!! um caloroso abraço e que tenhamos um ANO NOVO cheio de alegrias...

A cada dia de nossa vida, aprendemos com nossos erros ou nossas vitórias, o importante é saber que todos os dias vivemos algo novo. Que o novo ano que se inicia, possamos viver intensamente cada momento com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma benção de Deus.
 

Brasil é o maior mercado consumidor de crack do mundo

Somente no último ano, 2,3 milhões de pessoas experimentaram crack e cocaína. Segundo pesquisa da USP, 442 mil foram adolescentes.

A cocaína em forma sólida se transformou em um problema de saúde pública, e que tem atingido cada vez mais crianças e adolescentes. O Recife é uma das capitais do país onde mais se consome o crack.
Em uma das avenidas mais movimentadas da capital pernambucana, crianças e adolescentes se misturam aos dependentes de crack. É cada vez mais comum encontrar menores de idade consumindo a droga nas ruas.
O Brasil é o maior mercado do mundo de crack e o segundo de cocaína. Somente no último ano 2,3 milhões de pessoas experimentaram esses tipos de droga. O que chama atenção é que 442 mil foram adolescentes, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo. O Recife é uma das cinco cidades brasileiras onde mais se usa o crack, junto com o Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Brasília.
Para consumir a droga, alguns vendem o corpo, pedem esmola ou viram bandidos. A lei do tráfico é dura e cruel, e quando o problema aparece, a família vive um drama. As sequelas podem ficar pelo resto da vida. “Fumar significa que você dá uma descarga da substância, da droga, muito forte. Que o cérebro fica bombardeado pela substância e ela bagunça toda a estrutura dos neurotransmissores”, explica Evaldo Melo, psiquiatra.
 
O Brasil possui poucos centros de atendimento a usuários de crack. A rede de saúde mental conta hoje com 310 centros de atenção psicossocial especializado em álcool e drogas, 59 unidades de acolhimento, e 4240 leitos em hospitais.
Um CAPs em Jaboatão de Guararapes é exclusivo para crianças e adolescentes. O problema é que não tem médico. Em Pernambuco só existe um local para a internação e tratamento de menores, que fica em Caruaru, no agreste do estado. São trinta vagas e meninas não são aceitas.
Muitas vezes o tratamento é interrompido logo nos primeiros quinze dias. De cada dez menores que chegam, cinco ou fogem ou pedem pra sair.
Para os especialistas, o consumo maior do crack entre os jovens acontece porque alguém falhou. “A gente pode entender que a imagem de uma criança usando crack é o retrato mais cruel de uma sociedade, dos governantes no tratamento dessa situação”, avalia Thiago Queiroz, psiquiatra.
Lançado há um ano pelo governo federal, o programa "Crack, é possível vencer" prevê investimentos de quatro bilhões de reais até 2014. O governo federal pretende criar mais de treze mil novos leitos pelo Brasil.
 
Fonte: site jornal hoje do dia 26 de dezembro de 2012

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Feliz Natal! e que venha 2013!!!

Deixo às amigas e aos amigosuma mensagem de Natal e Ano Novo. Espero que gostem!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

mensagem positiva...


Repasso aqui as sábias palavras de Charles Bukowski em homenagem aos aniversariantes da semana.

- As pessoas que resolviam as coisas em geral tinham muita persistência e um pouco de sorte. Se a gente persistisse o bastante, a sorte em geral chegava. Mas a maioria das pessoas não podia esperar a sorte, por isso desistia.
Bom dia amigos! 

Repasso aqui as sábias palavras de Charles Bukowski em homenagem aos aniversariantes da semana.

 - As pessoas que resolviam as coisas em geral tinham muita persistência e um pouco de sorte. Se a gente persistisse o bastante, a sorte em geral chegava. Mas a maioria das pessoas não podia esperar a sorte, por isso desistia.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Inauguração da unidade feminina Renascer - dia 30 de novembro às 18h no Capão do Leão

A secretária-geral de Governo, Miriam Marroni, participa hoje da inauguração da primeira Comunidade Terapêutica da Zona Sul direcionada para mulheres. A unidade funcionará sob responsabilidade do Centro de Reformulação Comportamental Renascer e disponibilizará 20 leitos.
A secretária-geral de Governo, Miriam Marroni, participa hoje da inauguração da primeira Comunidade Terapêutica da Zona Sul direcionada para mulheres. A unidade funcionará sob responsabilidade do Centro de Reformulação Comportamental Renascer e disponibilizará 20 leitos.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Zona Sul passará a contar com Comunidade Terapêutica para mulheres

Dependência química

                                                                                                                                                 
Serão nove meses de tratamento entre as fases de reabilitação e reinserção social.
 A partir de sexta-feira (30), a Zona Sul passará a contar com a primeira Comunidade Terapêutica para mulheres. A unidade - sob responsabilidade do Centro de Reformulação Comportamental Renascer - terá 20 leitos e já abrirá com lotação máxima. A lista de espera é de 25 pessoas; 90% delas moradoras de Pelotas. Isso, antes mesmo da divulgação de que a casa está prestes a inaugurar.

A intenção da equipe é de que as dependentes químicas grávidas também possam ser acolhidas e, em parceria com o Executivo, recebam a chance de realizar o pré-natal enquanto permanecem internadas, com vistas à prevenção das crises de abstinência sofridas pelos recém-nascidos. O trabalho seguirá o modelo já adotado na Comunidade dirigida ao público masculino, em funcionamento há quatro anos. Ao invés do período de um ano, todavia, serão nove meses de tratamento entre as fases de reabilitação e reinserção social.

Afora o suporte técnico com psicólogos e psiquiatra, as mulheres - adolescentes a partir dos 16 anos de idade e adultas - irão realizar atividades de terapia ocupacional, como o cultivo de horta, jardinagem e confecção de artesanato. Tudo para que possam dar início a uma nova fase de vida, alicerçada no tripé trabalho-disciplina-espiritualidade. Um processo que se estenderá também ao lado de fora da Comunidade Terapêutica, com a rede de proteção, e, claro, depende - e muito - do envolvimento da família. "Estamos há quase sete meses envolvidos na concretização desse novo projeto e sabemos da grande demanda que existe", enfatiza um dos fundadores da Renascer, Cristiano Vargas.

Uma doença democrática
A dependência química é doença primária que não faz distinção de sexo, faixa etária, nível socioeconômico e grau de instrução. Não há um perfil específico. "É uma doença extremamente democrática", resume o responsável técnico pela Comunidade, o psicólogo Ricardo Valente. No caso das mulheres, entretanto, há um agravante: as drogas costumam causar danos ainda maiores, embora elas representem parcela menor, se comparado ao total de homens no universo de usuários - explica.

"Por questões neuroendócrinas, os níveis de intoxicação são maiores entre as mulheres e, também devido a causas hormonais e metabólicas, as recaídas são mais comuns". Daí a relevância de iniciativas como esta que se concretizará com o corte da fita, marcado para sexta-feira, às 18h, no Capão do Leão.

União de esforços
A Comunidade Terapêutica feminina funcionará em área de 3,5 hectares. A casa, com quatro dormitórios, foi reformada e mobiliada com apoio das empresas Expresso Embaixador, Usimec, Dimatiel e Treichel. A manutenção da casa e a prestação de serviços dependerá dos cerca de 200 sócios-contribuintes - embora nem todos façam doação mensal - e também do pagamento a ser feito pelas famílias das mulheres em tratamento. O teto máximo será de um salário mínimo, que daria o equivalente a R$ 20,00 pagos por dia.

A secretária de Saúde, Arita Bergmann, comemora o projeto e garante que, se a unidade atender aos requisitos técnicos mínimos de funcionamento, assim como as exigências da vigilância sanitária, a prefeitura tem total interesse em reservar parte das vagas a atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Informe-se
A Casa de Triagem da Comunidade Renascer funciona na rua General Neto, 491. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (53) 3305-7053.

Fonte:  Michele Ferreira - Diário Popular de 25 de novembro de 2012.

Miriam debate metodologia de combate ao crack

A secretária-geral de Governo, Miriam Marroni, recebeu a visita do coordenador de programas e projetos especiais do Ministério da Justiça, Alexandre Herculano, na manhã desta quinta-feira, 29. No encontro, realizado no Palácio Piratini, foi debatida a metodologia utilizada no tratamento de dependentes químicos e a importância da qualificação e expansão dos programas estaduais e federais.

De acordo com a secretária Miriam, a dependência química precisa ser vista com um olhar diferente, visto que parte dos tratamentos oferecidos atualmente ainda misturam os usuários de drogas com pacientes com algum tipo de deficiência mental. “Estou convencida que é necessário amadurecer mais a ideia da internação compulsória. Colocar nas mãos do dependente químico uma decisão que irá definir a sua vida é desumano, já que o mesmo não possui discernimento para arcar com tamanha responsabilidade”.

Além disso, a secretária-geral de Governo destacou a importância de qualificar as oficinas oferecidas nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e nas comunidades terapêuticas. Outro ponto destacado por Miriam foi a capacitação das equipes de atendimento. “A dependência química é uma doença e deve ser combatida com ciência, medicação adequada e tratamento específico”, disse.

Segundo o coordenador de programas e projetos especiais do Ministério da Justiça, Alexandre Herculano, o governo federal tem investido na prevenção do uso de drogas e no tratamento dos usuários por meio de ações como o programa Crack é possível Vencer. “O acompanhamento da execução das metas estabelecidas pelos programas e a fiscalização são etapas primordiais neste processo de enfrentamento”, concluiu. 
 
Fonte: site  http://miriammarroni.com.br

terça-feira, 20 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Revista Veja: Maconha, as novas descobertas da medicina cortam o barato de quem acha que ela não faz mal

 

Cai o último argumento dos maconheiros: droga é mais prejudicial do que álcool e tabaco, sim!

 
Um dos lobbies mais organizados, mais influentes e mais aguerridos do Brasil é o dos maconheiros. Não há, já demonstrei aqui — acho que em centenas de textos —, uma só centelha lógica em seus argumentos. Ao contrário: no fim, tudo termina na mais pura irracionalidade. Não repisarei argumentos. O capítulo 3 de “O País dos Petralhas II” chama-se “Das milícias do pensamento” — um dos subcapítulos tem este título “Da milícia da descriminação das drogas”. Como, em certas franjas, o consumo da maconha — e de algumas outras substâncias — se mistura com hábitos próprios dos endinheirados, a descriminação ganhou porta-vozes influentes. Por incrível que pareça, está presente até na eleição do comando da OAB…
Leiam reportagem de Adriana Dias Lopes, que é capa da VEJA desta semana. Cai por terra a mais renitente — embora, em si, seja estúpida, já demonstrei tantas vezes — tese dos defensores da descriminação da maconha: a de que a droga ou é inofensiva ou é menos danosa à saúde do que o tabaco e o álcool, que são drogas legais. Errado! Leiam trecho da reportagem:
(…)
A razão básica pela qual a maconha agride com agudeza o cérebro tem raízes na evolução da espécie humana. Nem o álcool, nem a nicotina do tabaco; nem a cocaína, a heroína ou o crack; nenhuma outra droga encontra tantos receptores prontos para interagir com ela no cérebro como a cannabix. Ela imita a ação de compostos naturalmente fabricados pelo organismo, os endocanabinoides. Essas substâncias são imprescindíveis na comunicação entre os neurônios, as sinapses. A maconha interfere caoticamente nas sinapses, levando ao comprometimento das funções cerebrais. O mais assustador, dada a fama de inofensiva da maconha, é o fato de que, interrompido seu uso, o dano às sinapses permanece muito mais tempo — em muitos casos, para sempre, sobretudo quando o consumo crônico começa na adolescência. Em contraste, os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro se dissipam poucos dias depois de interrompido o consumo.
Com 224 milhões de usuários em todo o mundo, a maconha é a droga ilícita universalmente mais popular. E seu uso vem crescendo — em 2007, a turma do cigarro de seda tinha metade desse tamanho. Cerca de 60% são adolescentes. Quanto mais precoce for o consumo, maior é o risco de comprometimento cerebral. Dos 12 aos 23 anos, o cérebro está em pleno desenvolvimento. Em um processo conhecido como poda neural, o organismo faz uma triagem das conexões que devem ser eliminadas e das que devem ser mantidas para o resto da vida. A ação da maconha nessa fase de reformulação cerebral é caótica. Sinapses que deveriam se fortalecer tornam-se débeis. As que deveriam desaparecer ganham força”.
(…)
Leiam a íntegra da reportagem especial na edição impressa da revista e depois cotejem com tudo o que anda dizendo a turma da descriminação, cujo lobby é tão forte que ganhou até propaganda gratuita na TV aberta, o que é um despropósito.
Para encerrar este post, vejam alguns dados cientificamente colhidos sobre os consumidores regulares de maconha:
– têm duas vezes mais risco de sofrer de depressão;
– têm duas vezes mais risco de desenvolver distúrbio bipolar;
– é 3,5 vezes maior a incidência de esquizofrenia;
– o risco de transtornos de ansiedade é cinco vezes maior;
– 60% dos usuários têm dificuldades com a memória recente;
– 40% têm dificuldades de ler um texto longo;
– 40% não conseguem planejar atividades de maneira eficiente e rápida;
– têm oito pontos a menos nos testes de QI;
– 35% ocupam cargos abaixo de sua capacidade.
E, digo eu, por tudo isso, 100% deles defendem a descriminação…
 
Por Reinaldo Azevedo - Revista Veja do dia 27 de outubro de 2012.

Frase do dia...

Frase de Albert Flanders
  Às vezes, só uma mudança de ponto de vista é suficiente para transformar uma obrigação cansativa numa interessante oportunidade.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

BOM FERIADO!

  

CRACK, É POSSÍVEL VENCER

Técnicos do governo federal monitoram ações do programa no RS

Para os estados que já aderiram ao Programa Crack, é Possível Vencer, o momento agora é visitas técnicas para ações nos três eixos Prevenção, Cuidado (tratamento) e Autoridade (segurança pública). Nos próximos meses, estão previstas visitas da equipe técnica do governo federal aos 12 estados para o monitoramento e o acompanhamento da implementação das ações.

Uma comitiva com técnicos dos ministérios da Justiça, da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, além da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, esteve nos dias 23 e 24 de agosto, em Porto Alegre. A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, destacou a importância das oficinas técnicas para acompanhamento da implementação das ações. “A gestão pública exige monitoramento e o programa Crack, é Possível Vencer  tem o desafio da complexidade do tema e da integração do trabalho entre três entes federados (União, estado e município), além da articulação entre áreas diversas em cada um deles. Por isso,  o alinhamento conceitual e executivo é decisivo  para alcançar os objetivos pactuados”.

O estado do Rio Grande do Sul e a prefeitura de Porto Alegre assinaram a adesão  ao programa do governo federal Crack, é possível vencer em 17 de abril. Com o pacto, começam ou são fortalecidas ações  para aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, para enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e para ampliar atividades de prevenção. A União deverá investir (com repasses e aplicação direta) no estado do Rio Grande do Sul R$ 103 milhões até 2014.

No âmbito da saúde, Porto Alegre terá oito Centros de Atenção Psicossocial (CAPS-AD) para atendimento 24 horas em 2012 (sendo cinco novos e outros três que passarão a atender em tempo integral. Dos 3 CAPS AD a serem qualificados, 2 já estão em funcionamento 24 horas: GHC e IAPI), quatro Consultórios nas Ruas (um novo e três a serem qualificados, sendo que 2 consultórios na rua já estão funcionando com equipe ampliada) e 131 leitos em enfermarias especializadas (61 novos e outros 70 leitos qualificados). Além disso, até o final do ano serão criados três novas Unidades de Acolhimento Adulto e mais uma nova para atendimento de crianças e adolescentes. Para essas melhorias na capital gaúcha, o Ministério da Saúde disponibilizará R$ 1.984.000,00 para a implantação dos pontos de atenção e mais R$ 45.632.756,40 para o custeio mensal, totalizando um investimento de R$ 47.616.756,40, até 2014. Deste valor, o MS já liberou R$ 1,3 milhão, em 2012.

Na área de Desenvolvimento Social, atualmente existem 95 Creas em 89 municípios gaúchos, com capacidade para atendimento de 5.470 famílias por mês. Com a ampliação, mais 12 unidades serão implementadas e mais 690 famílias serão atendidas. Dos atuais, seis são em Porto Alegre e dos novos um será na capital.

O Ministério da Justiça está presente em duas frentes: na prevenção e segurança pública. A Secretaria Nacional sobre Drogas (Senad) realizou desde julho cursos de capacitação para operadores do direito (324 profissionais), policiais civis, guardas comunitários e policiais comunitários (86 profissionais), profissionais da área de saúde e assistência social na modalidade presencial (400 participantes), formando 810 capacitados em prevenção ao uso de álcool e drogas. Já os educadores de escolas públicas (4.729 profissionais) e do Proerd (15 policiais) realizaram inscrições e começam as aulas de preparação em setembro.

Nesta sexta (24/8) e sábado,  houve curso para a Polícia Rodoviária Federal com o treinamento de 300 policiais. Para novembro, estão previstas capacitações para comunidades terapêuticas, conselheiros, lideranças religiosas, além de profissionais da saúde e da assistência social por meio de cursos à distância.

Já a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) realizou desde junho capacitação de 80 profissionais de segurança pública nos módulos CNPMC (Curso Nacional de Multiplicador de Polícia Comunitária) e TEPAC (Tópicos Especiais em Policiamento e Ações Comunitárias) e, em setembro, realizará o módulo de abordagem policial a pessoas em situação de risco. Outra turma de 40 profissionais realizou o módulo de CNPMC e realiza próximos módulos no final de agosto e em outubro. No total, serão 200 profissionais capacitados até o final de outubro.

O Programa Crack, é Possível Vencer foi lançado em dezembro de 2011 pelo governo federal  enfrentar o crack e as outras drogas. Com investimento de R$ 4 bilhões da União e articulação com estados, Distrito Federal e municípios, além da participação da sociedade civil, a iniciativa tem o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e ampliar atividades de prevenção.

Fonte: site crack, é possível vencer.

FIQUE SABENDO!!!

Crack
O que é?
O crack é popularmente chamado de "pedra", uma droga estimulante feita em laboratório, derivado da cocaína e manipulado para ser fumado.
É uma mistura aquecida de bicarbonato de sódio, amoníaco e água. São pequenas pedrinhas brancas ou amareladas de vários tamanhos e formas.
Quando se tornou ilegal?
Já que surgiu como derivado da cocaína, o crack nunca foi uma droga lícita. Pelo contrário, desde que virou epidemia nos estados unidos, na década de 80, sobretudo nos Estados Unidos, causou enorme preocupação da sociedade.
Usando Crack
Essa droga pode ser fumada em um cachimbo, mas muitos improvisam com tubos de vidro, garrafas plásticas ou até mesmo em papéis de alumínio.
O crack pode ser também inalado por meio da fumaça gerada no momento em que a pedra é aquecida.
O efeito é rápido, fazendo com que o usuário fique vulnerável à dependência logo na primeira vez que experimenta, despertando a vontade de usar cada vez mais.
Altos e baixos
Doze segundos. Esse é o tempo que a droga leva para ativar o centro de prazer no organismo. O usuário sente uma intensa euforia, bem estar e energia; alguns descrevem a sensação do uso como uma intensa excitação sexual.
A temperatura do corpo sobe, os batimentos cardíacos aumentam e as pupilas dilatam. Logo, todo o prazer é substituído pela irritação e inquietação do corpo. Pessoas que usam crack estão mais propensas a sofrerem ataque cardíaco, derrames e convulsões, mesmo as mais saudáveis, podendo até mesmo ser fatal.
Sexo com Crack
O usuário passa a não sentir mais prazer em outros aspectos da vida com o uso do crack, como comer, fazer exercícios e até sexo. Isso porque as sensações que essas outras atividades trazem, passam a ser praticamente "nada", comparadas às sensações que a droga proporciona.
É como se o sistema do organismo ficasse insensível, desenvolvendo um distúrbio chamado anedonia, em que na memória, restam apenas os momentos das sensações que o crack causa. O usuário passa, então, a viver em função da droga.
Um relacionamento de longo prazo?
O crack é a droga mais devastadora e pode provocar dependência desde a primeira pedra. Nos momentos de fissura (vontade incontrolável de usar a droga), a pessoa precisa fumar 20, 30 vezes por dia.
Quem experimenta crack vive dramas muitas vezes irreversíveis. Não é apenas a saúde do usuário que se corrompe. Você poderá ver amigos, emprego e todas as suas conquistas irem embora devido às inúmeras consequências causadas por essa droga.
A degradação acontece em uma velocidade incontrolável, o usuário deseja droga a qualquer custo, sendo capaz de gastar todo o dinheiro, roubar coisas de casa para vender, se prostituir e até cometer crimes como furtos e roubos para sustentar a dependência.
Crack com outras drogas
Maconha – algumas pessoas misturam pedras de crack em cigarros de maconha, chamados de piticos ou mesclado. Muitos artigos mostram que os traficantes sabem o perigo das drogas, principalmente do crack. Muitos ainda o misturam propositalmente nesses cigarros de maconha, aumentando o número de dependentes dessa droga devastadora.
Álcool - o álcool deixa a pessoa desinibida, podendo servir de estimulante para experimentar o crack. Por isso, esteja sempre atento.
Anfetaminas, Ecstasy – com crack, essas drogas aumentam a pressão no coração, exigindo com que ele trabalhe mais para bombear o sangue. A pessoa corre mais riscos de sofrer derrames e ataques cardíacos.
É bom saber
Se antes o crack estava apenas entre as classes mais baixas da sociedade, hoje, seu consumo, também já invadiu o ambiente das classes mais privilegiadas, média e alta.
Dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostram um crescimento de 42% no número de dependentes de crack que buscaram tratamento entre 2005 e 2009 no Proad - Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes.
Segundo um estudo da Unifesp, um em cada três usuários de crack morre nos primeiros cinco anos de consumo da droga. Esse índice se dá não só pelo uso da droga, mas também pela atividade do tráfico e até por assassinato ou acidentes em tentativas de roubo.

ABC das Substâncias



Maconha
O que é: substância alucinógena cujo princípio ativo (THC) é obtido a partir de uma planta conhecida como Cannabis Sativa.
Status: droga ilícita
Forma: cigarros feitos com as folhas e brotos, secos e picados, da planta
Efeitos procurados: sensação de bem-estar, relaxamento, aumento da percepção das imagens e cores Efeitos colaterais: boca seca, diminuição da coordenação motora, prejuízo da atenção e concentração, aumento de apetite, crises de ansiedade
Alterações de comportamento: variação de humor, lentificação do raciocínio
Riscos: maior risco de acidentes pela piora da atenção, quadros agudos de ansiedade e paranóia
Uso prolongado: pessoa pode ficar mais lenta, desmotivada e deprimida, com piora da memória. Também há maior risco de infertilidade e câncer de pulmão

Cocaína
O que é: substância estimulante feita a partir de uma planta conhecida como coca e, modificada em laboratório
Status: droga ilícita
Forma: pó que é aspirado ou injetado (dissolvido em água), pedra (crack) ou pasta (merla), que é fumada em "cachimbos".
Efeitos procurados: prazer, euforia, energia, diminuição do cansaço.
Efeitos colaterais: aceleração dos batimentos do coração, aumento da temperatura, crises de ansiedade
Alterações de comportamento: agressividade, delírios, irritação, depressão
Riscos: Desejo de repetir o uso para obter os efeitos desejados, com aumento de doses para se chegar a efeitos ainda mais intensos. Risco de overdose com convulsão e parada cardíaca
Uso prolongado: dependência, agressividade, problemas cardíacos, alteração em sistema nervoso, sangramento nasal.

Anfetaminas
O que são: drogas sintéticas, estimulantes do sistema nervoso
Status: remédios de uso médico (por exemplo, para emagrecimento) que passam a ser usados de modo inadequado.
Forma: comprimidos
Efeitos procurados: redução de sono e apetite, aceleração do raciocínio, euforia, maior resistência ao cansaço
Efeitos colaterais: aceleração de batimentos cardíacos, irritação, ansiedade, insônia, impulsividade
Alteração de comportamento: depressão
Riscos para saúde: vconvulsão, infarto
Uso prolongado: risco de dependência

LSD (ácido lisérgico)
O que é: droga sintética, alucinógena
Status: droga ilícita
Forma: cartela em que é pingada uma gota do ácido. A cartela é colocada sob a língua
Efeito procurado: Aceleração do pensamento, alucinações visuais, auditivas e táteis
Efeitos colaterais: ansiedade, quadros paranóides (viagens de horror ou "bad trips"), transpiração excessiva, aceleração de batimentos cardíacos
Alterações de comportamento: instabilidade de humor, flash backs (volta das sensações experimentadas, em geral ruins, mesmo não tendo consumido a droga)
Riscos: "badtrips", desencadeamento de quadros psicóticos ou ainda indução de comportamentos de risco por conta da interpretação errada da realidade

Ecstasy
O que é: droga sintética, um derivado de anfetamina (MDMA), estimulante do sistema nervoso central, com um componente alucinógeno.
Status: droga ilícita
Forma: comprimido ingerido por via oral
Efeito procurado: euforia, maior energia, bem-estar, aumento da sensibilidade corporal, aumento do desejo sexual
Efeitos indesejados: boca seca, náusea, sudorese, aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial e hipertermia (aumento da temperatura do corpo), exaustão.
Alterações de comportamento: depois dos efeitos, pode haver sensação de depressão Riscos: morte por hipertermia e desidratação
Uso prolongado: tóxico para o sistema nervoso central.

Ice
O que é: droga sintética, uma anfetamina modificada, potente estimulante do sistema nervoso central.
Status: droga ilegal
Forma: pó branco ou cristal que lembra gelo. Pode ser fumada, cheirada, injetada e engolida.
Efeito procurado: euforia, aumento de energia, raciocínio mais rápido
Efeitos colaterais: aumento de batimentos cardíacos, pressão sanguínea e temperatura do corpo. Tremores, insônia e perda de apetite.
Alterações de comportamento: sintomas depressivos, paranóia e comportamento violento.
Riscos: convulsões, coma, derrame e morte súbita.
Uso prolongado: altas doses produzem uma severa depressão.

Quetamina (Special-K)
O que é: droga sintética, depressora do sistema nervoso central, com efeitos levemente alucinógenos
Status: anestésico de uso humano ou veterinário, que é usado de forma indevida
Forma: líquido, armazenado em ampolas ou um pó branco que pode ser aspirado ou misturado com tabaco ou maconha.
Efeito procurado: euforia, alucinações
Efeitos colaterais: náusea, vômitos, sedação leve, perda de coordenação motora
Alterações de comportamento: pensamentos fantasiosos, com caráter de sonho, alterações do humor, depressão, ansiedade, paranóia, flash backs (volta das sensações experimentadas, em geral ruins, mesmo não tendo consumido a droga)
Riscos: convulsão e morte. Sedação pode expor a riscos.
Uso prolongado: risco de dependência, prejuízo de memória

GHB (Gamahidroxibutirato)
O que é: droga sintética, depressora do sistema nervoso central, também chamda de ecstasy líquido
Status: ilícita
Forma: líquido ou um sal, normalmente diluído em água, com efeitos semelhantes aos do álcool.
Efeitos procurados: euforia, sensação de energia, desinibição
Efeitos indesejados: tontura, incoordenação motora, náusea, vômitos e rebaixamento do nível de consciência.
Riscos: mesmo pequenas dosagens podem causar intoxicações intensas, com risco de coma. Dosagens mais elevadas podem ser fatais. Combinação com álcool é extremamente perigosa. Tem sido descrito seu uso para cometer violência sexual e estupros.
Uso prolongado: risco de dependência

Inalantes
O que são: depressores do sistema nervoso central (os mais comuns são clorofórmio, éter, e tolueno)
Status: ilícitas ou de uso indevido (no caso de produtos comerciais que contém solventes)
Forma: líquidos que evaporam e são inalados (sprays, panos embebidos, frascos). Estão presentes em esmalte de unha, cola de sapateiro, removedores de tinta, lança-perfume, cheirinho-da-loló, acetona, benzina etc
Efeitos procurados: euforia, excitação, relaxamento, bem-estar
Efeitos colaterais: tontura, alterações da percepção de tempo e espaço, náusea, vômitos, lapsos de memória, alucinações
Alterações comportamento: variação do humor, indo de risos imotivados e euforia até medo, tristeza e pânico.
Riscos: convulsões, ataque cardíaco e convulsões. O contato com o líquido pode causar queimaduras na pele e no interior dos órgãos (boca, língua, traquéia)
Uso prolongado: risco de lesões permanentes para o cérebro, com apatia, dificuldade de concentração e déficit de memória

Efedrina
O que é: droga sintética, estimulante com efeitos similares aos da anfetamina.
Status: uso indevido
Forma: cápsula, comprimido ou em suplementos alimentares
Efeito procurado: maior energia, euforia, maior disposição para treinos
Efeitos colaterais: taquicardia, elevação da pressão arterial, ansiedade
Alteração de comportamento: irritação, depressão
Riscos: convulsão e infarto

Anabolizante
O que é: versão sintética do hormônio masculino testosterona
Status: droga lícita para uso médico, que passa a ser usada de forma inadequada
Forma: comprimidos ou ampolas para aplicação intra-muscular
Efeito procurado: aumento de massa muscular e possível aumento da resistência física e força.
Efeitos colaterais: ganho de peso, aumento da pressão, insônia, acne, calvície prematura, redução do tamanho dos testículos, voz mais grossa, aumento de pêlos etc
Alterações de comportamento: irritabilidade e agressividade
Riscos: sobrecarga para o coração, infartos
Uso prolongado: infertilidade, câncer de fígado

Poppers ("gás hilariante")
O que é: droga sintética, depressor do sistema nervoso central, com algum efeito alucinógeno.
Status: droga ilícita
Forma: os nitratos (óxido nitroso) são gases inalados
Efeito procurado: euforia, sedação leve e aumento do prazer sexual.
Efeitos colaterais: náusea, vertigem, dores de cabeça, irritação das vias respiratórias e distúrbios da visão
Riscos: maior risco de sexo sem proteção, acidentes durante o consumo, sufocação e coma.
Uso prolongado: risco de uso compulsivo, prejuízo do sistema imunológico (de defesa).

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

PARABÉNS A TODOS OS GAÚCHOS PELO 20 DE SETEMBRO!!!

20 de setembro - DIA DO GAÚCHO
No dia 20 de setembro celebramos a Revolução Farroupilha, foi uma revolução de caráter republicano contra o governo imperial do Brasil e ocorreu na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Resultou na declaração de independência dessa província como Estado Republicano, dando origem à República Rio Grandense.
A Guerra dos FARRAPOS, como também ficou conhecida, durou aproximadamente 10 anos, de 20 de setembro 1835 a 23 de março de 1845, quando a República Rio Grandense foi desfeita pelo Tratado de Ponche Verde (1845) e o Rio Grande do Sul
voltou a fazer parte do Império Brasileiro.
A Revolução, que originalmente NÃO tinha caráter separatista, alimentou-se das idéias liberais da época moldadas nas Lojas Maçônicas. Inspirou-se na recém terminada Guerra de Independência do Uruguay, mantendo conexões com essa nova República do Rio da Prata, além de províncias independentes argentinas como Corrientes e Santa Fé.
O dia 20 de setembro é feriado oficial no Estado do Rio Grande do Sul e é considerado o Dia do Gaúcho em todo o Brasil. Nesse dia celebramos muito mais que a Revolução em si, saudamos o legado que àqueles homens nos deixaram e que ficou gravado até hoje em nossa bandeira e em nossos corações:"LIBERDADE, IGUALDADE E HUMANIDADE".
 
                  Tamanho da fonte 
Hoje é dia do gaúcho
Pode esquecer do luxo
Apenas bota e bombacha
Com muita simplicidade
É o campo e a cidade
Festejando com alegria
É raiz, não é mania
É tradição de verdade.

Aceso fogo de chão
Fartura de chimarrão
De a pé ou de a cavalo
Que importa é este embalo
Nos levando pra o passado
Não para cantar saudade
Mas orgulho por esse Estado
Que criou homens de verdade.

Este é o dia do gaúcho
Que ama a sua terra
Do jeito que ela é
Sem ligar para o que falam
É muito grande o sentimento
Que na minha alma eu trago
Estas vaneras de gaita
É amor pelo meu pago. 
 
 Xiru – João Rebés
 
 
 

Cerca de 12% dos jovens pelotenses são fumantes

  • Em 17 capitais do Brasil 47,5% dos gaúchos entre 12 e 16 anos já experimentaram cigarro e 19% tornaram-se fumantes
Dos 39% dos jovens pelotenses, entre dez e 19 anos, que já experimentaram tabaco, 12,81% (aproximadamente um terço) continuam fazendo uso da substância. Os números fazem parte do resultado obtido no estudo feito por representantes do Hospital-Escola e da Universidade Federal de Pelotas (HE/UFPel/FAU) e dos cursos de Enfermagem e Nutrição, denominado Projeto Abordagem e Prevenção ao Tabagismo. O grupo estudado não é representativo da população em geral, pois foram aplicados apenas a uma amostra de alunos das quatro escolas participantes, onde foram aplicados 2.448 questionários - em maio do ano passado - a 33,25% do total dos estudantes matriculados nas instituições de ensino abordadas (três públicas e uma particular). Mas a estatística garante uma noção parcial da realidade local.

De acordo com a psicóloga e integrante do projeto, Maria Helena Silveira, esses resultados indicam que não houve variação significativa de fumantes na faixa etária estudada nos últimos 12 anos. Os números corroboram os dados encontrados em estudo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), desenvolvido em 1997, entre adolescentes de 12 a 18 anos, que identificou a prevalência de tabagismo em 11,1% dos entrevistados.

Melhor desempenho que o Estado e o País
A estatística pelotense se mostra positiva tanto em relação à pesquisa feita pela Vigilância de Tabagismo em Escolares (Vigescola) do Instituto Nacional do Câncer (Inca) quanto ao estudo de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Ambos são vinculados ao Ministério da Saúde (MS) e aplicados nacionalmente.

O primeiro - Vigescola - é realizado periódica e alternadamente em 17 capitais do Brasil (entre 2002 e 2005) e apontou que 47,5% dos gaúchos entre 12 e 16 anos já fizeram o experimento ao cigarro e 19% tornaram-se fumantes (que fizeram uso em pelo menos um dos 30 dias que antecederam a pesquisa aplicada a 1.801 jovens). Já o Vigitel mostrou que o consumo de tabaco entre os jovens brasileiros caiu mais de 50% nos últimos 20 anos. Os resultados indicam que, no ano passado, 14,8% dos jovens eram fumantes, enquanto em 1989 esse número chegava a 29%.

Preço consumível
O fato do cigarro ser a segunda droga mais consumida em todo o mundo deve-se, principalmente, às facilidades e estímulos para obtenção do produto, entre eles o baixo custo. Segundo o imunologista pelotense Alcino Alcântara Filho, o aumento do preço seria a solução que mais surtiria efeito. "É o fator limitante em que o Governo poderia atuar diretamente, mas o lobby das grandes empresas é muito grande. O alto custo até poderia não garantir o abandono do vício, mas, ao menos, garantiria uma redução considerável no consumo", afirmou.

REABILITAÇÃO

Ajuda e estrutura para dependentes químicos é fundamental


Retomar o controle da própria vida após quase perder tudo. Para muitos essa decisão por ser a mais acertada, pode parecer fácil ou no mínimo rápida. Entretanto, apesar de ser fundamental, a percepção de que a única solução é decidir romper com o vício é a atitude que salva, mas que em muitos casos leva tempo. Esse é o panorama experimentado pelos dependentes químicos ou como começou-se a chamar - usuários de substâncias psicoativas.

Para mostrar como funciona o tratamento e as histórias de quem optou por buscar ajuda para sair do mundo da drogas, a reportagem do Diário Popular visitou um dos três centros de reabilitação de dependentes químicos da região de Rio Grande - a Comunidade Terapêutica Prosseguir. Localizada na Ilha dos Marinheiros, a unidade de tratamento alternativo trabalha especificamente com o público masculino.

O funcionamento da comunidade é mantido através de convênios com o governo federal, estadual e municipal. Pelo SUS são oferecidas 15 vagas, com a prefeitura e a Secretaria Nacional Antidrogas outras cinco. Com capacidade para 30 internos, a Prosseguir tem atualmente 22 pacientes. Cada quarto conta com seis pessoas. Apesar de atender pacientes do SUS, é possível conseguir vagas particulares mediante pagamento mensal.

Terapia ocupacional
Afastados da vida em sociedade e, portanto, distantes do contato com as drogas e o álcool, a rotina dos internos voluntários é baseada nos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos (AA). A abordagem inclui três fases: desintoxicação, conscientização e reintegração social. As visitas só são permitidas após um mês, já as saídas (exceto as por motivo médico) acontecem após seis meses. Depois de um semestre, os internos passam uma semana em casa na companhia dos familiares. Este é o primeiro contato deles com o mundo exterior e com mais liberdade. Mas antes disso, sempre no terceiro domingo do mês, é feita a reintegração social do usuário, onde familiares visitam a comunidade.

Fonte: Diário Popular - Por: Andressa Barbosa

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

É POSSÍVEL VENCER!!!

                      

Dados alarmantes apontam o Brasil como o segundo maior consumidor de cocaína e derivados do mundo. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e divulgado nesta quarta-feira (5), nosso país está atrás apenas dos Estados Unidos. O estudo também mostra que o Brasil responde hoje por 20% do mercado mundial da droga.

Ao todo, pelo menos 6 milhões de brasileiros já usaram cocaína pelo menos uma vez. Quanto ao crack, 2 milhões de brasileiros admitem já ter fumado pelo menos em uma oportunidade. Os números assustam e ressaltam a importância de apostar em iniciativas que auxiliem no combate à epidemia da drogadição.

Informações como estas destacam ainda mais a importância das ações integradas do governo federal e do governo do Estado para enfrentar o crack e outras drogas. Um exemplo deste esforço é a campanha Crack É Possível Vencer, iniciativa que está estruturada em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção.

Aumentar a oferta de tratamentos de saúde e ampliar as ações de prevenção são responsabilidades dos governantes, mas a sociedade também precisa ser protagonista no combate às drogas. É possível sim vencer essa luta, que é de todos os brasileiros e brasileiras.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Caex é exemplo de superação contra as drogas

Tratamento

Caex é exemplo de superação contra as drogas

Foto: Carlos Queiroz

 
Trabalho, oração e terapia. Esse é o tripé responsável pelo sucesso de 70% das pessoas que realizam o tratamento proposto pela Casa do Amor Exigente (Caex). Em atuação em Pelotas desde 1990, a instituição é um exemplo de superação e mostra à comunidade que há saída para as pessoas que desejam livrar-se das drogas e recomeçar suas vidas. Um levantamento recente divulgado pela instituição mostra que desde sua fundação já passaram por lá mais de 800 pessoas.

De todos que entram na fazenda, aproximadamente 40% conseguem cumprir os 12 passos do tratamento com um ano de duração. De 2007 a 2012, 74 completaram o ciclo e 47 “estão em pé” (gíria que se refere a pessoas um dia viciadas, mas que atualmente conseguem ficar afastadas das drogas e/ou álcool).

O trabalho na comunidade é árduo. Atualmente estão internados 38 homens de diferentes idades. A rotina, regrada. O tratamento conta com orientação psicológica e espiritual, mas acima de tudo é um espaço para que as pessoas revejam seus conceitos e aprendam - ou reaprendam - a valorizar a vida. “Para entrar em uma comunidade terapêutica, a pessoa realmente precisa querer. Ninguém permanece contra a vontade”, explica o responsável pelas internações da Caex e alcoólatra em recuperação, Jorge Nunes Espinosa, de 53 anos.

Sua história é um exemplo de superação. Joca, como é conhecido pelos amigos, participou por dez anos de grupos como os Alcoólicos Anônimos (AA). Em 2006, saiu de casa e no ápice das crises, chegou a recorrer ao álcool e até mesmo perfume. Em 2007, entrou para a Caex e cumpriu os nove meses de tratamento exigidos na época.

Contato

O primeiro contato é feito através do escritório situado na rua General Argolo, 699, sala 101. As reuniões precisam da presença da pessoa que deseja ser internada e dos familiares. O trabalho de reabilitação sustenta-se nos 12 passos, com enfoque em valores como fé, confiança e superação, por exemplo. Acesse o site http://caexpelotas.com.br para outras informações.

Fonte: Por: Osiris Reis -  Diário Popular - 15/08/12

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Crack, é possível vencer reforça segurança em fronteiras e zonas de consumo no RS

As ações policiais do programa Crack é possível vencer no Rio Grande do Sul irão se concentrar nas fronteiras e nos locais de grande concentração de uso do crack nos centros urbanos. Na divisa com o Uruguai e a Argentina, serão intensificadas as ações de inteligência e de investigação para identificar e prender os traficantes, bem como desarticular organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas ilícitas.



Está prevista também a implementação de policiamento ostensivo e de proximidade nas áreas de concentração de uso de drogas, onde serão instaladas câmeras de videomonitoramento fixo. O Rio Grande do Sul vai receber três bases móveis equipadas com sistema de videomonitoramento, 60 câmeras de videomonitoramento fixo, três veículos e seis motocicletas e 600 equipamentos de menor potencial ofensivo, além da capacitação de 120 profissionais de segurança pública que irão atuar nas cenas de uso de crack e outras drogas. O total de investimentos do governo federal na segurança pública fica acima de R$ 5,5 milhões. A expectativa é que a utilização de câmeras móveis e fixas contribua para inibir a prática de crimes, principalmente o tráfico de drogas.

Fonte: blog do Ministério da Justiça do Rio Grande do Sul

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Programa Crack, é possível vencer

Programa Crack, é possível vencer tem ações em oito estados


O programa do governo federal Crack, é Possível Vencer já recebeu adesão de oito estados: Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Acre, Santa Catarina e Espírito Santo.
Até 2014, Alagoas receberá R$ 37 milhões, já Pernambuco R$ 85 milhões. O estado do Rio de Janeiro receberá R$ 240 milhões, o Rio Grande do Sul R$ 103 milhões. Minas Gerais terá R$ 476 milhões, o Acre terá, até 2014, R$ 13,3 milhões e Santa Catarina receberá R$ 56 milhões da União. O Espírito Santo receberá R$ 9,85 milhões. Estão em fase de pactuação técnica para futura adesão o Distrito Federal e a Bahia. A Paraíba se prepara para a pactuação.
Lançado em dezembro de 2011, o programa Crack, é possível vencer abrange um conjunto de ações interministeriais para enfrentar o crack e outras drogas. Com investimento de R$ 4 bilhões da União até 2014 e articulação com estados, Distrito Federal e municípios, além da participação da sociedade civil, tem o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e ampliar atividades de prevenção.  
As ações estão estruturadas em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção. O programa Crack, é Possível Vencer conta com a atuação direta dos ministérios da Justiça, da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, além da Casa Civil e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Um serviço telefônico - Viva Voz 132 - também foi criado para oferecer atendimento gratuito à população sobre o tema. O canal de comunicação é mantido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça (Senad/MJ) e funciona 24 horas.

Fonte:  http://www.brasil.gov.br - 19/07/2012 20:00 - Portal Brasil

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Entrevista com Marcelo Ribeiro de Araújo - mestre e doutor em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo

Crack: uma questão de saúde pública. Entrevista especial com Marcelo Ribeiro de Araújo

“O crack já se interiorizou. Hoje, 98% das cidades convivem com esse problema”, informa o psiquiatra.
Confira a entrevista. 
Os investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes, iniciaram nos anos 2000, e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicos. "O preconceito em relação ao tratamento", segundo Marcelo Ribeiro de Araújo, também contribui para a desarticulação, " porque ainda existem pessoas que acham que ‘passar a borracha’ nos usuários  é a melhor solução” para acabar com as drogas.

Para ele, o desafio em relação ao tratamento dos usuários de crack é tratar o caso como um problema de saúde pública. Nesse sentido, avalia, os Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD) representam um avanço, “mas os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido”. E dispara: “O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade toda no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil”.

Em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone, Araújo diz que o consumo do crack está associado a situações de violência e abuso. Nesse sentido, argumenta, “retirar os viciados da cracolândia não vai resolver o problema da dependência. É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo. Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack”.

Marcelo Ribeiro de Araújo é mestre e doutor em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo – Unifesp. Atualmente é diretor de ensino da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da mesma universidade e autor do livro O Tratamento do Usuário do Crack (editora Artmed).

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Hoje as campanhas de combate as drogas focam muito no consumo de crack. Por quê? Essa é a droga mais utilizada e a que causa maior dependência?  

Marcelo Ribeiro de Araújo – Sim. O crack é uma droga que de fato desorganiza os usuários, porque eles ficam muito dependentes e desestruturados. Os usuários de crack também são os que mais buscam tratamento, ou são levados a buscar pela família ou por outras pessoas. O crack é uma droga que impacta, e é usada em grupos, em locais abandonados, e tudo isso atrai a atenção dos usuários.

IHU On-Line - Quais são os principais efeitos do crack sobre o psiquismo do sujeito?

Marcelo Ribeiro de Araújo - O crack é a cocaína na sua apresentação para ser fumada. Então, nesse sentido, farmacologicamente, ele é a cocaína. A cocaína é um estimulante do sistema nervoso que, quando utilizada, provoca um quadro de euforia e de bem estar, que é o que as pessoas buscam inicialmente, juntamente com um quadro de aumento da alerta, inquietação, aceleração psicomotora, aumento dos batimentos cardíacos. Isso tudo acompanha a intoxicação por essa substância.

A diferença entre ela e a cocaína cheirada é que a cocaína fumada (crack) atinge os pulmões, e uma grande quantidade de cocaína entra de uma vez só no corpo, atingindo rapidamente o cérebro. De cinco a oito segundos, a cocaína entra pelos pulmões, passa pelo coração e chega no cérebro. Então, o crack produz um efeito intenso e rápido, causando maior dependência.

IHU On-Line - Desde quando o Brasil investe em políticas públicas de enfrentamento ao crack e quais são as políticas existentes para tratar os dependentes?

Marcelo Ribeiro de Araújo - As políticas públicas são muito recentes e realizadas pelo governo federal, governos estaduais e municipais, de uma maneira que poderia ser melhor integrada. Para você ter uma ideia, até 2003 não havia serviços para tratamentos específicos ambulatoriais para dependência química. Havia apenas seis serviços: três em São Paulo, um na Bahia, um no Rio e um em Porto Alegre.

IHU On-Line - Como é realizado o tratamento de dependentes químicos no Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

Marcelo Ribeiro de Araújo - Quando um tratamento começa, avaliamos qual é a estrutura química, física e social do paciente. A partir daí, escolhemos as opções que melhor atenderão as necessidades dele. Esse é o conceito atual. Então, é feita uma avaliação das necessidades e a partir disso, tentamos começar o tratamento com uma proposta terapêutica, onde são considerados os ambientes que temos à disposição (podem ser os ambulatórios, podem ser as clínicas, as comunidades terapêuticas, os hospitais). É escolhido o melhor ambiente, pensado na equipe de profissionais disponível para ajudar esse paciente e nas estruturas de apoio sociais – se o dependente químico tem filhos, procuramos uma creche para a criança, por exemplo. Portanto, algumas decisões são clínicas e outras, sociais.

Os profissionais que atuam com os dependentes são o que chamamos de gerentes de caso, porque ficam junto com o paciente, próximo do dia a dia dele, e além do tratamento psicológico, ajudam e monitoram outras questões da vida social.

IHU On-Line – E como acontece isso na prática? O Brasil está preparado para esse modelo de tratamento?

Marcelo Ribeiro de Araújo - A partir dos anos 1980 e 1990, foram fechadas todas as clínicas de internação. Havia vários manicômios velhos, cheios de ratos, onde as pessoas ficavam completamente abandonadas. O problema é que após fecharmos os manicômios, não colocamos nenhum modelo de internação no lugar, e algumas pessoas precisam ser internadas. Algumas vezes, não sempre, é bom começar o tratamento por uma desintoxicação de um mês. Tem pessoas que ficam muito comprometidas socialmente porque desistem de uma internação em comunidade terapêutica.

Têm pacientes que se beneficiam do Caps, mas este é um tratamento que requer uma estrutura do dependente, pois ele precisa marcar a consulta, e ir às reconsultas. Esse é um tratamento para alguém que já está conseguindo se estruturar melhor. Atualmente, existem Caps nas capitais e nas cidades médias ou naquelas que possuem Universidades Federais, Estaduais. Ainda falta integrar melhor o Caps com o tratamento informal.

IHU On-Line - Como o senhor avalia o desempenho dos Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

Marcelo Ribeiro de Araújo - A adaptação, às vezes, fica prejudicada porque como poucas pessoas trabalham com o tema no Brasil e não há muitos locais para se capacitar. Os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido. O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade toda no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil.

Antes dos anos 1990, não tinha política nenhuma, o que surgiu no governo Fernando Henrique Cardoso foi uma grande carta de intenções, que se preocupava mais com a repressão do que em estruturar uma rede de tratamento para os dependentes químicos. Mas esse era o momento histórico. Foi desenvolvido um trabalho de colocar no papel tudo o que entendíamos por dependência, doença, mas a política de enfrentamento para o crack veio aparecer agora. Depois que a Dilma assumiu, ela fez o plano de enfrentamento e as propostas são válidas. Ela está pensando em diversificar a rede, e capacitar os profissionais. A ideia que está no papel é boa.

IHU On-Line - Alguns especialistas alegam que a desarticulação entre as políticas de segurança, saúde e assistência social tem prejudicado o tratamento de dependentes em crack. O senhor concorda? Quais são as razões desta desarticulação entre as políticas públicas?

Marcelo Ribeiro de Araújo – O motivo desta desarticulação é porque o país investe em política pública nessa área há pouquíssimo tempo. Então, as pessoas ainda estão “batendo a cabeça”. A falta de articulação também esbarra no preconceito em relação ao tratamento, porque ainda existem pessoas que acham que “passar a borracha” nos usuários de droga é a melhor solução. Essa é uma mentalidade da cultura dos indivíduos. Está no imaginário das pessoas essa concepção de que o dependente químico é um drogado e que não há problema em tratá-lo com violência. As pessoas, às vezes, acabam agindo de uma maneira equivocada.

IHU On-Line - Quais os desafios de tratar a dependência química como um problema de saúde pública e não como uma questão de segurança?

Marcelo Ribeiro de Araújo – O grande desafio é possuirmos ambientes e capacitação, além de ter a oportunidade de influir nos momentos em que se definem as políticas públicas. É uma questão de encarar o crack como uma questão de saúde pública. Retirar os viciados da cracolândia não vai resolver o problema da dependência. É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo. Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack.

IHU On-Line - Considerando as pesquisas que o senhor realiza na universidade e o contato que tem com dependentes, diria que houve uma evolução no tratamento com dependentes químicos nos últimos anos?

Marcelo Ribeiro de Araújo – Com certeza. Evoluímos bastante. Fiz um mapa sob como o crac foi evoluindo no Brasil nesses 23 anos e percebi que quando o tema entrou em pauta, nós, pesquisadores, se quer publicávamos sobre o tema – ficávamos fazendo revisão de artigos. Hoje, pelo contrário, temos muitos profissionais pesquisando sobre o assunto, vários serviços de assistência aos dependentes químicos. Nós avançamos muito em pesquisa e nos tratamentos, só que infelizmente ainda estamos no começo. Essa é a principal questão.

IHU On-Line - Como o uso de crack evoluiu nesses 23 anos? O perfil dos consumidores também mudou?

Marcelo Ribeiro de Araújo – O crack ainda continua sendo uma droga de pessoas de classe baixa e que têm baixa escolaridade. A classe média também consome, mas está longe de ser o grande consumidor. Os usuários são pobres, com histórico de violência e abuso. Nesse período, houve de fato uma disseminação do crack pelas grandes cidades: São Paulo, Porto Alegre, o restante do Sul, Belo Horizonte e depois a droga foi sendo espalhada para o Rio de Janeiro e Nordeste. O crack já se interiorizou. Hoje, 98% das cidades convivem com esse problema. Em municípios de 10 mil habitantes, até os bóias-frias fumam a droga.

terça-feira, 10 de julho de 2012

CRACK - Composição e ação no organismo

Composição química

O crack é obtido a partir da mistura da pasta-base de coca ou cocaína refinada (feita com folhas da planta Erythroxylum coca), com bicarbonato de sódio e água. Quando aquecido a mais de 100ºC, o composto passa por um processo de decantação, em que as substâncias líquidas e sólidas são separadas. O resfriamento da porção sólida gera a pedra de crack, que concentra os princípios ativos da cocaína.
Segundo o químico e perito criminal da Polícia Federal (PF) Adriano Maldaner o nome ‘crack’ vem do barulho que as pedras fazem ao serem queimadas durante o uso. “A diferença entre a cocaína em pó e o crack é apenas a forma de uso, mas o princípio ativo é o mesmo”, afirma Maldaner.
Por ser produzido de maneira clandestina e sem qualquer tipo de controle, há diferença no nível de pureza do crack, que também pode conter outros tipos de substâncias tóxicas - cal, cimento, querosene, ácido sulfúrico, acetona, amônia e soda cáustica são comuns. “A pureza vai depender do valor pago na matéria-prima pelo produtor. Se a cocaína for cara, é misturada com outras substâncias, para render mais. Se for de uma qualidade inferior, pouca coisa ou nada é adicionado”, diz Maldaner.

Forma de uso e ação no organismo

O crack geralmente é fumado com cachimbos improvisados, feitos de latas de alumínio e tubos de PVC (policloreto de vinila), que permitem a aspiração de grande quantidade de fumaça. A pedra, geralmente com menos de 1 grama, também pode ser quebrada em pequenos pedaços e misturada a cigarros de tabaco ou maconha – o chamado mesclado, pitico ou basuco. “Ao aquecer a pedra, ela se funde e vira gás, que depois de inalado é absorvido pelos alvéolos pulmonares e chega rapidamente à corrente sanguínea”, conta Maldaner. Enquanto a cocaína em pó leva cerca 15 minutos para chegar ao cérebro e fazer efeito depois de aspirada, a chegada do crack ao sistema nervoso central é quase imediata: de 8 a 15 segundos, em média. É por esta razão que o crack pode ocasionar dependência mais rapidamente.
A ação do crack no cérebro dura entre cinco e dez minutos, período em que é potencializada a liberação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. “O efeito imediato inclui sintomas como euforia, agitação, sensação de prazer, irritabilidade, alterações da percepção e do pensamento, assim como alterações cardiovasculares e motoras, como taquicardia e tremores”, explica o psiquiatra Felix Kessler, do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Fonte: site Crack, é possível vencer

quarta-feira, 27 de junho de 2012

DIA 26 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DO COMBATE AS DROGAS

A LUTA CONTINUA...

No dia mundial do combate as drogas, as mães contra o crack continuam lutando por: Leito em hospital geral; Plantão psiquiátrico; Requalificação dos caps; Caps 3 - 24 horas; Comunidades terapêuticas (sus); Vagas cursos profissionalizantes.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Entrevista Dr. Ronaldo Laranjeira - médico psiquiatra

Dependência química

Ronaldo Laranjeira é médico psiquiatra, coordena a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas na Faculdade de Medicina da UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e é PhD em Dependência Química na Inglaterra.

As drogas acionam o sistema de recompensa do cérebro, uma área encarregada de receber estímulos de prazer e transmitir essa sensação para o corpo todo. Isso vale para todos os tipos de prazer – temperatura agradável, emoção gratificante, alimentação, sexo – e desempenha função importante para a preservação da espécie.
Evolutivamente o homem criou essa área de recompensa e é nela que as drogas interferem. Por uma espécie de curto circuito, elas provocam uma ilusão química de prazer que induz a pessoa a repetir seu uso compulsivamente. Com a repetição do consumo, perdem o significado todas as fontes naturais de prazer e só interessa aquele imediato propiciado pela droga, mesmo que isso comprometa e ameace a vida do usuário.
MECANISMO GERAL DA DEPENDÊNCIA
DrauzioQue mecanismo do corpo humano explica o processo de dependência da droga?
Ronaldo Laranjeira – Acho importante destacar que existe, no cérebro, uma área responsável pelo prazer. O prazer, que sentimos ao comer, fazer sexo ou ao expor o corpo ao calor do sol, é integrado numa área cerebral chamada sistema de recompensa. Esse sistema foi relevante para a sobrevivência da espécie. Quando os animais sentiam prazer na atividade sexual, a tendência era repeti-la. Estar abrigado do frio não só dava prazer, mas também protegia a espécie. Desse modo, evolutivamente, criamos essa área de recompensa e é nela que a ação química de diversas drogas interfere. Apesar de cada uma possuir mecanismo de ação e efeitos diferentes, a proposta final é a mesma, não importa se tenha vindo do cigarro, álcool, maconha, cocaína ou heroína. Por isso, só produzem dependência as drogas que de algum modo atuam nessa área. O LSD, por exemplo, embora tenha uma ação perturbadora no sistema nervoso central e altere a forma como a pessoa vê, ouve e sente, não dá prazer e, portanto, não cria dependência.
Vários são os motivos que levam à dependência química, mas o final é sempre o mesmo. De alguma maneira, as drogas pervertem o sistema de recompensa. A pessoa passa a dar-lhes preferência quase absoluta, mesmo que isso atrapalhe todo o resto em sua vida. Para quem está de fora fica difícil entender por que o usuário de cocaína ou de crack, com a saúde deteriorada, não abandona a droga. Tal comportamento reflete uma disfunção do cérebro. A atenção do dependente se volta para o prazer imediato propiciado pelo uso da droga, fazendo com que percam significado todas as outras fontes de prazer.
DrauzioVocê diz que a evolução criou, no cérebro, um centro de recompensa ligado diretamente à sobrevivência da espécie. As abelhas, quando pousam numa flor e encontram néctar, liberam um mediador chamado octopamina, neurotransmissor presente nas sensações de prazer. Esses mecanismos são bastante arcaicos?
Ronaldo Laranjeira – O sistema de prazer é muito primitivo. É importante para as abelhas e para os seres humanos também. A droga produz efeito tão intenso porque age nesses mecanismos biológicos bastante primitivos.
Drauzio Mecanismos tão arcaicos assim representam uma armadilha poderosa. Na verdade, provoca-se um estímulo forte que está mexendo com milhares de anos de evolução.
Ronaldo Laranjeira – Acho que estamos cada vez mais valorizando esse tipo de mecanismo. A droga é um fenômeno psicossocial amplo, mas que acaba interferindo nesse mecanismo biológico primitivo.
DEPENDÊNCIA É UM PROCESSO DE APRENDIZADO
DrauzioA maioria das pessoas bebe com moderação, mas algumas fazem uso abusivo do álcool. Há quem fume maconha ou use cocaína esporadicamente, mas existem os que fumam crack o dia inteiro. O que explica essa diferença? A resposta está na droga ou no usuário?
Ronaldo Laranjeira – Parte da resposta está na tendência ao uso crônico e na história de cada pessoa. Quando começou a usar? Como interpreta os sintomas da síndrome de abstinência? Além disso, o que vai fazer com que repita a experiência não é só a busca do prazer, mas a tentativa de evitar o desprazer que a ausência da droga produz.
A dependência é um processo de aprendizado. O fumante, por exemplo, pela manhã já manifesta sintomas da abstinência. Fica irritado e sua capacidade de concentração baixa. Ele fuma, o desconforto diminui. Vinte minutos depois, o nível de nicotina no cérebro cai, voltam os sintomas da abstinência e ele vai aprendendo a usar a droga pelo efeito agradável que proporciona e para evitar o desprazer que sua falta produz.
A dependência é fruto, então, do mecanismo psicológico que a um só tempo induz o indivíduo a buscar o prazer e evitar o desprazer, e fruto das alterações cerebrais que a droga provoca. Essa interação entre aspectos psicológicos e efeito farmacológico vai determinar o perfil dos sintomas de abstinência de cada pessoa. A compulsão é menor naquelas que toleram a abstinência um pouco mais, e maior nas que a inquietação é intensa diante do menor sinal da síndrome de abstinência.
Resumindo: a dependência química pressupõe o mecanismo psicológico de buscar a droga e a necessidade biológica que se criou no organismo. Disso resulta a diversidade de comportamentos dos usuários.
A maconha é um bom exemplo. Seu uso compulsivo hoje é maior do que era há 20, 30 anos e, de acordo com as evidências, quanto mais cedo o indivíduo começa a usá-la, maior é a possibilidade de tornar-se dependente. Como garotos de 12, 13 anos e, às vezes, até mais novos, estão usando maconha, atualmente o problema se agrava. Além disso, as concentrações de THC (princípio ativo da maconha) aumentaram muito nos últimos tempos. Na década de 1960, andavam por volta de 0,5% e agora alcançam 5%. Portanto, a maconha de hoje é 10 vezes mais potente do que era naquela época.
Diante disso, a Escola Paulista de Medicina sentiu a necessidade de montar um ambulatório só para atender os usuários de maconha e há uma lista de espera composta por adolescentes e jovens adultos desmotivados, que fumam seis, sete baseados por dia e não conseguem fazer outra coisa na vida. Isso não acontecia quando a concentração de THC era mais fraca e o acesso à droga mais restrito.
Drauzio - Quando se conversa com usuários de maconha de muitos anos, eles lastimam que a droga tenha perdido a qualidade. Sua explicação prova exatamente o contrário. Terão essas pessoas desenvolvido um grau de tolerância maior à droga?
Ronaldo Laranjeira - Acho que a queixa é fruto de um certo saudosismo, uma vez que há tipos de maconha, entre eles o skank, que chegam a ter 20% de THC. Na Holanda, foram desenvolvidas cepas que contêm maior concentração desse princípio ativo, o que faz com que a maconha perca a classificação de droga leve e se transforme numa substância poderosa para causar dependência. Deve-se considerar, ainda, como justificativa da queixa que o uso crônico causa sempre certa tolerância.
Drauzio - No Carandiru, minha experiência mostra que há quem fume um baseado a cada 30 minutos. Uma droga que exija tal frequência de consumo não pode ser considerada leve, não é verdade?
Ronaldo Laranjeira – Infelizmente não existem drogas leves, se produzirem estímulo no sistema de recompensa cerebral. Em geral, as pessoas perguntam: mas se a droga dá prazer, qual é o problema? O problema é que ela não mexe apenas na área do prazer. Mexe também em outras áreas e o cérebro fica alterado. Diante de uma fonte artificial de prazer, ele reage de modo impróprio. Se existe a possibilidade de prazer imediato, por que investir em outro que demande maior esforço e empenho? A droga perverte o repertório de busca de prazer e empobrece a pessoa. Comer, conversar, estabelecer relacionamentos afetivos, trabalhar são fontes de prazer que valorizamos, mas não são imediatas.
CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS DOS USUÁRIOS
DrauzioO uso crônico do álcool provoca uma série de alterações que todo mundo conhece e reconhece. Em relação às outras drogas, de acordo com sua experiência pessoal e não com as definições dos livros, quais as principais características do usuário?
Ronaldo Laranjeira – No ambulatório da Escola Paulista de Medicina que atende usuários de maconha, pude notar que há dois grupos distintos. Um é constituído por jovens que perderam o interesse por tudo o que faziam. Não estudam nem trabalham. Estão completamente desmotivados. É o que chamamos de síndrome amotivacional. O nome é feio, mas pertinente. O outro grupo é formado por pessoas nas quais se estabelece uma relação complexa entre maconha e doenças mentais como psicose e depressão. Não se sabe se a maconha produz a doença mental. O que se sabe é que ela piora os sintomas de qualquer uma delas, seja ansiedade ou esquizofrenia.
AÇÃO E EFEITO DAS DIFERENTES DROGAS
Drauzio -Teoricamente, quando a pessoa ansiosa fuma maconha, fica mais relaxada. Você acha que isso é um mito?
Ronaldo Laranjeira – É importante distinguir, na droga, o efeito imediato do efeito cumulativo. No geral, sob a ação da maconha, a pessoa ansiosa relaxa um pouco, mas esse é um efeito de curto prazo. O álcool também relaxa num primeiro momento. No entanto, as evidências demonstram que nas pessoas ansiosas seu uso crônico aumenta os níveis de ansiedade, porque o cérebro reage tentando manter o sistema em equilíbrio. É o efeito de homeóstase. Se alguém usa um estimulante, passado o efeito, o cérebro não volta ao funcionamento normal imediatamente. Surge o efeito rebote. Isso ocorre com qualquer droga. Tanto com a maconha quanto com o álcool, findo o efeito depressor, o efeito rebote elevará os níveis de ansiedade.
Drauzio Como age a maconha na memória?
Ronaldo Laranjeira - A maconha diminui a concentração, a memória e a atenção. É um efeito bastante rápido. Estudos mostram que, se alguém usar maconha num dia e medir os níveis de memória e concentração no outro, eles estarão ligeiramente alterados. Isso tem um impacto bastante negativo na vida dos adolescentes.
Na verdade, não há droga que melhore o desempenho intelectual. Nós sabemos que pessoas criativas usam drogas e produzem coisas criativas. Se elas não fossem criativas por natureza, não haveria droga no mundo capaz de produzir esse resultado.
Drauzio - Quais são os efeitos crônicos da cocaína?
Ronaldo Laranjeira – Em relação à saúde, o efeito mais grave da cocaína são os problemas cardíacos e cardiovasculares. Quando associada ao álcool, então, ela é uma das principais causas de infarto do miocárdio em adultos jovens.
ASSOCIAÇÃO PERIGOSA DA COVAÍNA COM O ÁLCOOL
DrauzioPor que o usuário de cocaína bebe tanto?
Ronaldo Laranjeira – De alguma forma, o álcool faz com que a pessoa se sinta mais liberada e use cocaína, um estimulante potente. Para diminuir a excitação, ela torna a beber e, como num círculo vicioso, a usar cocaína. A confusão cerebral aumenta consideravelmente e a tendência é beber ou cheirar mais. Trata-se de uma reação perturbadora em que o álcool incentiva o consumo de cocaína e vice-versa.
Drauzio Fico assustado com a quantidade de bebida destilada que o usuário de cocaína consome.
Ronaldo Laranjeira – A cocaína aumenta a resistência ao álcool, porque um pouco de seu efeito depressor é atenuado pela cocaína. Por outro lado, a pessoa tolera quantidades maiores de álcool, porque precisa abrandar os efeitos altamente excitantes da cocaína.
Sempre é válido repetir que álcool e cocaína representam uma das associações de drogas mais perigosas que existem. Ao que parece, tal associação dá origem a uma terceira molécula extremamente tóxica para cérebro e para o músculo cardíaco.
DrauzioNo Carandiru, vi meninos de 20 e poucos anos com infarto do miocárdio ou derrame cerebral puxando o braço ou a perna depois de uma seção de crack ou de uma overdose de cocaína. Isso acontece frequentemente?
Ronaldo Laranjeira – Infelizmente, no Brasil, não há dados precisos sobre o que aconteceu com os usuários de cocaína, porque o sistema médico não é muito coordenado. Se eles existissem, ficaríamos horrorizados.
Tivemos uma pequena experiência acompanhando, por cinco anos, o primeiro grupo de usuários de crack que foi internado em Cidade de Taipas, interior de São Paulo. Era uma população de classe média baixa. No final desse período, 30% tinham morrido em acidentes ou por morte violenta. Nesse caso, as famílias não sabiam dizer quem eram os responsáveis pelas mortes: os traficantes ou a polícia.
Não sabemos se isso ocorre com todos os usuários de crack. Temos certeza, porém, de que poucas doenças apresentam esse índice de mortalidade.
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA / EFEITO REBOQUE
DrauzioComo se manifesta o efeito rebote?
Ronaldo Laranjeira – O mecanismo de recompensa cerebral é importante para a preservação da espécie e ninguém é contra o prazer. Ao contrário, deveríamos estimular o surgimento de inúmeras fontes de prazer. A dependência química, entretanto, cria uma ilusão de prazer que acaba perturbando outros mecanismos cerebrais. Se, fumando um baseado, a pessoa relaxa, findo o efeito, a ansiedade ganha força, pois a síndrome de abstinência é imediata. É o chamado efeito rebote.
A cocaína age de forma diferente. O efeito rebote está na impossibilidade de sentir prazer sem a droga. Passada a excitação que ela provoca, a pessoa não volta ao normal. Fica deprimida, desanimada. Tudo perde a graça. Como só sente prazer sob a ação da droga, torna-se um usuário crônico. Às vezes, tenta suspender o uso e reassumir as atividades normais, mas nada lhe dá prazer. Parece que, por vingança divina, o cérebro perdeu a capacidade de experimentar outras fontes que não a desse prazer artificial que a droga proporciona.
Essa é uma das tragédias a que se expõem os dependentes químicos. No processo de reabilitação, quando a pessoa para de usar droga, é fundamental ajudá-la a reencontrar fontes de prazer independentes da substância química.
DrauzioQuem está de fora dificilmente entende o comportamento do dependente. “Esse cara, em vez de estar namorando, indo ao cinema, estudando, fica cheirando cocaína ou fumando crack”, é o que normalmente todos pensam. Isso dá a sensação de que o outro é fraco, com comportamento abjeto, digno de desprezo. Quem está passando por isso, vê a realidade de forma diferente?
Ronaldo Laranjeira – Na verdade, essa pessoa está doente. Seu cérebro está doente, com a sensação de que não existe outro prazer além da droga. Isso acontece também com o cigarro, uma fonte preciosa de prazer para os fumantes que adiam a decisão de parar de fumar por medo de perdê-la. De fato, 30% dos fumantes, logo depois que se afastam da nicotina, apresentam sintomas expressivos de depressão e precisam ser medicados com antidepressivos.
BUSCA DO PRAZER TOTAL
Drauzio - Você acha que um dia aparecerá uma droga cujo mecanismo de ação se encarregue de nos deixar felizes sem provocar malefícios no cérebro?
Ronaldo Laranjeira – Não acredito. Fica difícil imaginar uma droga que aja só no centro de prazer sem perturbar os demais mecanismos bioquímicos do cérebro, que é um órgão complexo e evolutivamente preparado para vivenciar muitas formas de prazeres sutis. Para tais estímulos, está aparelhado. Para os advindos das drogas, não.
DrauzioVocê não acha que o homem está sempre à procura do prazer total?
Ronaldo Laranjeira – A busca do prazer é uma característica positiva do ser humano. No caso das drogas, porém, ao querer superar a própria biologia por um artifício grosseiro, ele acaba se empobrecendo. O desejo de intensificar o prazer ao máximo empurra o homem para uma guerra que jamais será vencida.
CAMPANHAS CONTRA AS DROGAS
Drauzio Quando analisamos as campanhas contra as drogas, verificamos que se baseiam muito nos aspectos negativos dessas substâncias. A ideia é sempre assustar o usuário: “droga mata”. Aí, o garoto fuma um baseado e não morre. Ao contrário, sente-se bem e fica achando que tudo não passa de uma grande mentira. Você acha que o enfoque das campanhas é ingênuo?
Ronaldo Laranjeira – Estamos ainda muito no começo. Na criação de um modelo do que acontece com os usuários de droga, as campanhas estão numa fase bastante embrionária, mas acho que estão certas ao afirmar que drogas fazem mal. Ficar só nisso, porém, é passar uma informação de saúde ingênua e pobre. É preciso dizer como e por que as drogas são altamente prejudiciais ao organismo para que a pessoa tome uma decisão firme, bem alicerçada, e disponha-se a abandoná-las.
As evidências nos mostram que, quando se trabalha com a prevenção, a prioridade deve ser dada aos fatores de risco. Todavia, a partir do momento em que já está instalado o consumo (maconha, nos casos mais comuns), as estratégias teriam de ser bem diferentes.
ORIENTAÇÃO AOS PAIS
Drauzio – Muitas vezes os pais ficam apavorados quando encontram maconha nas coisas dos filhos. Como você orienta quem vive esse problema?
Ronaldo Laranjeira Na verdade, maconha é a primeira droga ilícita que a pessoa consome, mas antes disso, em geral, já experimentou o álcool e o cigarro. Já não se discute mais que, quanto mais cedo o adolescente entrar em contato com a droga, maior será a probabilidade de “escalar”, isto é, de partir para outras drogas ou intensificar o uso da maconha. É muito difícil prever quem vai ou não embarcar nesse processo. Sabe-se, porém, que quantos mais amigos envolvidos com drogas ele tiver, maior risco correrá do uso tornar-se crônico.
O primeiro passo para enfrentar a situação é os pais se informarem sobre o que está acontecendo na vida dos filhos e voltarem a exercer controle mais efetivo sobre suas atividades. Em geral, esse problema reflete uma certa crise familiar. Por razões diversas, pais e filhos se distanciaram. Por isso, a estratégia básica é levar ao conhecimento dos pais o que está acontecendo com seus filhos e os riscos que eles correm.
Quanto ao adolescente, é complicado conversar sobre esses riscos. A tendência do jovem que já se envolveu com maconha é minimizá-los ao máximo. “Que mal existe em fumar um baseado por semana?” é a pergunta que muitos fazem. Acontece que, na maioria das vezes, quem começou precocemente, no período de seis meses, estará fumando um baseado por dia.
Na entrevista clínica, não dá para antever o caminho que cada um percorrerá no mundo das drogas. Quem já teve o desprazer de acompanhar um adolescente numa entrevista, tranquilizar os pais, dizendo – “Olhem, ele só está usando uma vez por semana. Essa é uma experiência pela qual ele deve passar.” – e, depois de dois anos, ver esse jovem totalmente deteriorado, traficando drogas, fica muito preocupado com o momento certo em que deve interferir. Esse é o desespero dos pais e o dilema dos profissionais: agir na medida exata da necessidade de cada caso. Nem todos precisam de tratamento, mas não se pode deixar escapar aqueles para os quais o acompanhamento clínico é indispensável.
DrauzioEm que você se baseia para julgar se um garoto, que afirma fumar maconha a cada dois meses , representa risco de tornar-se um usuário crônico?
Ronaldo Laranjeira – É preciso estar atento a três fatores que combinados são sinais de alerta e requerem algum tipo de acompanhamento. O primeiro é atitude por demais tranquila do adolescente que considera a maconha inofensiva e destituída de inconveniências. Depois, é importante considerar a rede social em que está inserido. Os amigos com quem convive são usuários da droga? Por último, deve-se avaliar seu desempenho nas atividades cotidianas. É o caso do bom aluno até os 13 anos, que foi perdendo o interesse pela escola e não reage mesmo diante da ameaça de perder o ano.
PARANOIA ASSOCIADA AO CONSUMO DE DROGAS
Drauzio A paranoia é um efeito terrível da cocaína. O indivíduo cheira e entra numa crise persecutória alucinante. O que leva alguém a usar uma droga sabendo que irá provocar uma sensação medonha e que nenhum prazer oferece?
Ronaldo Laranjeira – Essa é a essência da dependência química de uma droga. Primeiro aparece o efeito prazeroso e, depois, o desprazer. Com a cocaína, isso é mais intenso. Seu efeito de excitação e de prazer é imediato, ocorre em poucos segundos. Alguns minutos depois, desaparece e surgem os efeitos desagradáveis. Confrontando os dois, prevalece a lembrança dos bons momentos e a pessoa volta a usar a droga. Tive um paciente que injetava cocaína. Suas veias tinham sumido, mas mesmo assim ele não desistia. Expunha-se ao tormento de dezenas de picadas para obter um único resultado positivo que, em sua balança emocional, compensava o sofrimento anterior. Os fumantes têm comportamento parecido. Muitos, mesmo com traqueostomia, não deixam de fumar.
Drauzio - Conheci alguns que, apesar da insuficiência vascular cerebral, ficavam tontos e caíam no chão quando fumavam, mas não desistiam e logo depois acendiam um cigarro outra vez.
Ronaldo Laranjeira - É a força da dependência, um fenômeno diversificado cuja essência é a disfunção cerebral provocada por várias drogas e que se manifesta em pessoas de personalidades diferentes.

Drauzio
- A maconha também pode provocar paranoia?
Ronaldo Laranjeira – É menos comum, mas casos de paranoia também ocorrem especialmente em pessoas que já apresentaram algum problema mental. Quem tem um surto psicótico e fuma maconha, por exemplo, faz um péssimo negócio, porque se intensificarão os sintomas dessa doença já estabelecidos anteriormente.
No que se refere à cocaína, nem todos que manifestam esses sintomas desenvolverão a síndrome paranoica. No entanto, quando isso acontece, as consequências são desastrosas. Soube de um usuário de cocaína que, em crise, saiu em disparada por uma estrada, foi atropelado e morreu. Há outros que pegam uma arma e disparam a esmo.
FORÇA PODEROSA DA DEPENDÊNCIA
Drauzio Muitos usuários garantem que a maconha é uma droga fácil de largar, que não causa dependência. Isso é verdade?
Ronaldo Laranjeira – Cada droga tem um perfil de dependência, e a maconha não é muito diferente das demais. Como já foi dito, atualmente ela está dez vezes mais forte do que era há 30 anos. Por isso, não é tão fácil afastar-se dela, principalmente se a pessoa começou a fumar na adolescência, quando ainda era um ser em formação.
O acompanhamento de usuários de maconha, no ambulatório da Escola Paulista de Medicina, sugere exatamente o contrário. As pessoas conseguem suspender o uso da droga durante alguns dias, mas a vontade fica incontrolável e elas voltam a fumar os baseados.
Drauzio No Carandiru, examino rapazes com tuberculose que fumam cigarros de nicotina, de maconha e crack. Explico-lhes que eles não podem fumar de jeito nenhum porque seus pulmões estão doentes, muito inflamados. Na semana seguinte, eles me informam que conseguiram suspender o crack e a maconha, mas o cigarro está difícil. Isso se repete nas semanas subsequentes. Tive centenas de casos como esse, que me convenceram de que o cigarro é mais difícil de largar do que as outras drogas. Estou exagerando?
Ronaldo Laranjeira – Embora o efeito da nicotina não seja tão poderoso quanto o da maconha, é muito mais constante. Imaginemos que o fumante dê dez tragadas em cada cigarro e fume vinte cigarros por dia. Feitas as contas, num único dia seu cérebro recebeu um reforço positivo pelo menos duzentas vezes. Cada tragada é igual a uma injeção de nicotina na veia. Esse estímulo, repetido através dos anos, faz com que a dependência de nicotina seja mais poderosa do que as outras. A maconha, no momento, passa por processo semelhante. Mais disponível e mais barata, seu consumo aumentou e, consequentemente, o número de cigarros fumados por dia e os estímulos cerebrais que provocam aumentaram também. Portanto, em termos de dependência, as duas drogas não diferem muito. Pelo atual padrão de consumo, mais fácil, acessível e intenso, maconha e nicotina têm muito em comum. Por isso, não compartilho a ideia de que maconha seja uma droga leve.
DrauzioO usuário de cocaína diz que deixará de usar a droga quando quiser. No entanto, admite que não poderá vê-la, porque entrará em desespero e a vontade de consumi-la ficará incontrolável. Como se pode explicar esse fenômeno?
Ronaldo Laranjeira – Ficar longe da droga, quando se está disposto a abandoná-la, faz parte do processo de aprendizado. No exato instante em que a pessoa vê a cocaína, seu cérebro começa a preparar-se para recebê-la e dispara um mecanismo que chamamos de craving ou fissura. Isso vale para qualquer droga. Depois que ficou dependente, é quase impossível alguém ver a droga e resistir ao desejo de usá-la. Por isso, na fase inicial do tratamento, aconselha-se que o usuário se afaste completamente de todos esses estímulos, pois ficará menos difícil lidar com o fenômeno da dependência química.

Fonte: site Dr Drauzio Varella